top of page
Buscar

Meu bebê não quer comer: o que fazer?

Foto do escritor: Pediatria Plena
Pediatria Plena
5 de out.
4 min de leitura

Você prepara a comida, coloca o bebê na cadeirinha e, depois de poucas colheradas, ele fecha a boca, vira o rosto ou simplesmente não demonstra interesse.


E então surge a preocupação: “Meu bebê não quer comer. O que eu faço?”


A recusa alimentar pode acontecer em diferentes momentos da infância e nem sempre significa que existe algum problema. Especialmente durante a introdução alimentar, o bebê ainda está descobrindo sabores, cheiros, texturas e uma maneira completamente nova de se alimentar.


Antes de insistir para que ele coma mais, vale entender o que pode estar acontecendo.


No começo, comer também é aprender.


Até o início da alimentação complementar, o bebê estava acostumado principalmente ao leite materno ou à fórmula infantil.


De repente, aparecem colher, copo, alimentos sólidos, novas consistências, temperaturas e sabores.


É muita novidade.


Por isso, a introdução alimentar não deve ser avaliada apenas pela quantidade que o bebê conseguiu comer em cada refeição.


Tocar, cheirar, amassar, levar o alimento à boca, cuspir e experimentar pequenas quantidades também fazem parte do processo.


Recusar uma vez não significa que o bebê não gosta.


Uma reação bastante comum é oferecer determinado alimento, observar a recusa e concluir: “Ele não gosta”.


Mas bebês podem precisar de várias exposições até se familiarizarem com um novo alimento.


Isso significa que um alimento recusado hoje pode ser aceito em outro momento.


Em vez de eliminar imediatamente o alimento do cardápio, ele pode voltar a ser oferecido posteriormente, sem pressão.


Observe os sinais de fome e saciedade.


Os bebês também demonstram quando estão com fome e quando já estão satisfeitos.


Abrir a boca em direção ao alimento, demonstrar interesse e se inclinar para a comida podem ser alguns sinais de interesse pela refeição.


Por outro lado, fechar a boca, virar o rosto, perder o interesse ou afastar o alimento podem indicar saciedade.


Forçar mais algumas colheradas depois desses sinais pode transformar a refeição em um momento de tensão.


O papel do adulto é oferecer alimentos adequados em um ambiente seguro. O bebê também participa desse processo demonstrando quanto consegue ou deseja comer.


Leite demais pode interferir nas refeições?


Dependendo da idade e da rotina, os horários e a quantidade das mamadas podem influenciar o apetite nas refeições.


Isso não significa que o leite materno deva ser retirado para “fazer o bebê sentir fome”.


Durante o primeiro ano, o leite materno continua tendo papel nutricional importante, e a alimentação complementar é introduzida progressivamente.


O pediatra pode ajudar a organizar a rotina de mamadas e refeições de acordo com a idade e as necessidades da criança.


Evite transformar a refeição em uma negociação.


Quando o bebê não come, é natural que os pais tentem diferentes estratégias para conseguir mais algumas colheradas.


Mas televisão, celular, brinquedos, distrações constantes, insistência excessiva ou oferecer recompensas podem dificultar a construção de uma relação saudável com a alimentação.


Sempre que possível, a refeição deve acontecer em um ambiente tranquilo, com o bebê sentado de maneira adequada e participando do momento.


Comer junto com a família também pode favorecer o aprendizado.


Textura também importa.


Nem toda recusa está relacionada ao sabor.


Alguns bebês apresentam mais dificuldade com determinadas consistências. Por isso, a evolução das texturas deve acompanhar o desenvolvimento da criança.


Manter apenas alimentos completamente liquidificados por tempo prolongado, sem uma indicação específica, pode limitar experiências importantes relacionadas à mastigação e à alimentação.


A forma de oferecer os alimentos deve ser adequada à idade e ao desenvolvimento motor do bebê, sempre considerando também a segurança para reduzir o risco de engasgo.


Quando não querer comer merece investigação?


Existem situações em que a recusa alimentar precisa ser avaliada com mais atenção.


Procure orientação quando o bebê apresenta dificuldade persistente para se alimentar, engasgos ou tosse frequentes durante as refeições, vômitos recorrentes, aparente dor para comer, dificuldade para engolir, perda ou dificuldade de ganho de peso, redução importante da variedade alimentar ou outros sinais que preocupem a família.


Nesses casos, é importante entender se existe alguma condição clínica, dificuldade relacionada à alimentação ou outro fator interferindo no processo.


Evite comparar quanto o seu bebê come.


É muito fácil olhar para outra criança da mesma idade e pensar: “Ela come um prato inteiro e o meu quase não come”.


Mas apetite, crescimento, desenvolvimento e necessidades energéticas não são exatamente iguais entre as crianças.


Mais importante do que analisar uma refeição isoladamente é acompanhar como aquele bebê está crescendo, se desenvolvendo e evoluindo ao longo do tempo.


Seu bebê não quer comer? Antes de insistir, tente entender o motivo.


Durante a introdução alimentar, nem toda recusa representa falta de apetite ou algum problema.


O bebê está aprendendo a comer e esse aprendizado envolve tempo, repetição, autonomia e respeito aos sinais de fome e saciedade.


Por outro lado, quando a dificuldade é persistente ou vem acompanhada de outros sinais, ela merece investigação.


Seu bebê está recusando os alimentos e você não sabe se isso faz parte da fase ou precisa de atenção? Agende uma consulta na Pediatria Plena. Podemos avaliar alimentação, crescimento e desenvolvimento para orientar a família de acordo com as necessidades de cada criança.

 
 
 

Comentários


bottom of page